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Katherine Johnson: A mulher que ajudou a humanidade a pisar na lua

No auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres negras, provou ser o elemento crucial que faltava na equação para a vitória dos Estados Unidos. Liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana as cientistas Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson provaram sua competência ao ajudar a colocar o primeiro homem na lua e ao trazer a missão Apolo 11 de volta à Terra com sua tripulação sã e salva. O feito foi retratado pelo filme Estrelas Além do Tempo (título original: Hidden Figures) que mostra como estas mulheres tiveram que lidar com o preconceito arraigado dos norte-americanos para se tornarem verdadeiras heroínas da nação.

A matemática Katherine Johnson (protagonizada no filme pela atriz Taraji P. Henson) morreu no último dia 24 de fevereiro aos 101 de idade. Assim como suas amigas de agência aeroespacial, Katherine deixou um legado de contribuições fundamentais para a aeronáutica e exploração espacial dos Estados Unidos, em especial em aplicações da computação na NASA. Conhecido pela precisão na navegação astronômica informatizada, seu trabalho de liderança técnica na NASA se estendeu por décadas onde ela calculava as trajetórias, janelas de lançamento e caminhos de retorno de emergência para muitos voos do Projeto Mercury, incluindo as primeiras missões da NASA.

Foram seus cálculos que ajudaram a missão Apolo 11 a ter sucesso e Neil Armstrong a pisar na Lua (1969), mas também os que estabeleceram a trajetória da primeira viagem ao espaço de um norte-americano, Alan Shepard (1961). Katherine participou inclusive dos planos iniciais para a missão a Marte. Sobre sua morte, a NASA externou seu  pesar em diversos canais, inclusive em um de seus twites: “Ficamos tristes com a morte da célebre matemática Katherine Johnson. Hoje, comemoramos seus 101 anos de vida e honramos seu legado de excelência que derrubou barreiras raciais e sociais”

Biografia

Katherine nasceu em 1918, em White Sulphur Springs, West Virginia, condado de Greenbrier, filha de Joshua e Joylette Coleman.Uma entre cinco filhos, seu pai trabalhava como madeireiro, agricultor e carpinteiro. Sua mãe era ex-professora. Muito cedo, Katherine mostrou talento para matemática e seus pais enfatizavam a importância da educação para os filhos. Como o condado de Greenbrier não oferecia escola para estudantes negros após a oitava série, as crianças da família foram para o ensino médio no condado de Kanawha, no chamado Instituto, onde hoje é a universidade de West Virginia. A família dividia seu tempo entre os estudos durante o ano e o verão em Sulphur Springs.

“Eu contava tudo. Contava os passos na rua, os passos até a igreja, o número de pratos que eu tinha lavado. Tudo o que pudesse ser contado.”

Katherine formou-se, no ensino médio, aos 14 anos. Aos 15 anos, ela iniciou os estudos na universidade, onde estudou em todos os cursos que ofereciam matemática. Vários professores apadrinharam-na, incluindo a matemática e química Angie Turner King, que a orientou durante o ensino médio e W.W. Schiefflin Claytor, o terceiro negro a receber um doutorado em matemática no país, que chegou a criar novos cursos de matemática especialmente para Katherine. Ela se formou em 1937, com notas máximas em matemática e francês, aos 18 anos.Depois da formatura, ela se mudou para Marion, Virginia, para ensinar matemática, francês e música em uma escola de ensino infantil.

Em 1939, Katherine se tornaria a primeira negra a se dissociar da graduação na West Virginia University, em Morgantown e a única mulher entre três estudantes negros selecionados a integrar a graduação depois da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que decidiu separar as escolas e universidades para negros e brancos. As universidades estaduais seriam instituições para brancos e a universidade Lincoln deveria criar cursos para atender a negros. Caso não houvesse cursos, outras universidades deveriam atender aos alunos.

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Carreira e o legado de Katherine

Katherine optou pela matemática, com interesse em pesquisa na área, um caminho com muitas portas fechadas para negras na época. Os primeiros empregos que conseguiu eram para lecionar. Em uma reunião de família, um parente mencionou que a NACA, que viria a se tornar a NASA, estava com processo seletivo aberto para mulheres, em especial negras, para seu departamento de navegação. Katherine inscreveu-se em 1953 e foi imediatamente aceita no novo time da NASA.

De 1953 a 1958, ela trabalhava como “computador”, fazendo análises para tópicos, como a redução da rajada para as aeronaves. Originalmente designada para a seção da West Area Computers, onde era supervisionada por Dorothy Vaughan, Katherine foi redesignada para a Divisão de Controle e Orientação da Divisão de Pesquisa de Voo. Porém, Katherine e as outras mulheres negras da divisão de computação eram conhecidas como “computadores de cor” e sujeitadas à segregação, trabalhando, comendo e usando banheiros separados de seus colegas brancos até que essa divisão segregada fosse terminada em 1958.

De 1958, até sua aposentadoria em 1986, ela trabalhou como técnica aeroespacial. Katherine ainda trabalhou para a seção de Controles aeroespaciais, onde calculou a trajetória de voo de Alan Shepard, o primeiro norte-americano no espaço, em 1959. Calculou também a janela de lançamento do Projeto Mercury, em 1961. Katherine plotou cartas de navegação, orientando naves pelas estrelas em caso de falha eletrônica e, em 1962, verificou os primeiros cálculos de computador da órbita de John Glenn ao redor da Terra. Glenn pediu por ela pessoalmente para verificar os números de seu computador de bordo e se recusou a voar até que ela fizesse a verificação.

O impacto do legado de Katherine como pioneira para a ciência espacial e computação lhe rendeu diversas honrarias e medalhas, além de servir como modelo para outras estudantes. Desde 1979, antes de se aposentar da NASA, sua biografia tem lugar de destaque entre a lista de negros pioneiros em ciência e tecnologia. Em 24 de novembro de 2015, o presidente Barack Obama incluiu Katherine na exclusiva lista de dezessete estadunidenses que receberam a Medalha Presidencial da Liberdade e seu nome foi citado como exemplo pioneiro de mulheres negras na ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Em março de 2016, começaram as finalizações do filme Hidden Figures, que foi lançado em 2017. A atriz que a interpretou, Taraji P. Henson, foi indicada ao Oscar. (fontes: Wikipedia, Adoro Cinema; revista Super Interessante; jornal El País; revista IstoÉ).

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